quinta-feira, 24 de setembro de 2009

"CARLOS DRUMMONT DE ANDRADE"


Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.




(>>>) Amor foge a dicionários        
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
nem se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo, amor é primo da morte e da morte vencedor, e por mais que o matem (e matam) ele sempre renasce com ardor.(<<<)

                   
  

           


(...) O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar (...) 


SONHOS INTERROMPIDOS (....) INTERROMPERAM MINHA VIDA


PEDAÇOS DE MIM

Eu sou feito de / Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos / amores mal resolvidos

Sou feito de / Choros sem ter razão
pessoas no coração / atos por impulsão

Sinto falta de lugares que não conheci
experiências que não vivi / momentos que já esqueci

Eu sou / Amor e carinho constante
distraída até o bastante, não paro por instante

Já tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas, cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar / sorri para não chorar

Eu sinto pelas coisas que não mudei
amizades que não cultivei e aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade / De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo / amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.





...Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos ,um livro mais ou menos.
Tudo perda de tempo.
Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoraçao ou seu desprezo.
O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia.




De mim, que tanto falam
Quero que reste o que calei
Que tanto rezam por mim
Quero que fique o que pequei
De mim, que tanto sabem
Quero que saibam que não sei...