domingo, 20 de setembro de 2009

Á Deriva




E de repente eu descubro: cheguei aonde não queria! Epa, esse não é o meu porto!
E em vez de recomeçar serenamente... virar o barco e velejar de novo, desço e encho as duas mãos de pedras para atirar... só preciso decidir quem vai ser o alvo... aquela idiota safada do meu trabalho, a moça faxina ou aquela amiga falsa que ajudou na fuga da outra.

Que triste... e mais triste ainda, é não perceber o quanto estou sendo ridícula, acusando os outros da minha própria incompetência. Não percebo que os outros, principalmente os que não são alvos da minha ira, que eles são inteligentes, observam, pensam, deduzem, tiram conclusões... não percebo que não sou a mais esperta do mundo. O raio do resto do mundo também é esperto. Que "caralhoooooo"!
Pois é... gosto dos temas que eu domino. Sou uma perdedora nata!
E a cada nova perda, faço um esforço sobre-humano para não acusar ninguém... às vezes consigo, outras vezes nem tanto... mas se me virem acusando alguém de alguma perda minha, está dada a autorização: desmintam-me!
Ninguém é culpado das nossas perdas, a não ser nós mesmos. E nem sempre, quando perdemos, alguém ganha. Vez ou outra, todos perdemos... muito ou pouco, mas a perda é rateada entre todos os envolvidos.
Portanto, diante da perda, o melhor que se faz é, como dizia minha saudosa avozinha: "enfiar o rabo entre as pernas e meter o pé na estrada", de cabeça baixa.
De nada adianta esbravejar, xingar, caluniar... melhor mesmo é calar. Nada é mais reconfortante nem mais inteligente do que o silêncio, depois de uma perda.
O meu direito termina, onde começa o direito do outro... velho isso, não é? Mas é a verdade mais "chata" que eu conheço! E é inegável que é verdade.
Que bom se só o direito dos outros estivesse sujeito a limites... que bom se o meu egoísmo agigantasse o meu direito.
Mas não é assim também... goste ou não, sou obrigada a admitir: Todos temos direitos iguais.
E se eu tiver direito de ofender, magoar, caluniar alguém porque perdi, o direito da outra pessoa é igual, e o mundo se transformará numa pancadaria geral, e acabarão as poesias, as alegrias, o bem estar... a paz.
E ninguém tem direito a destruir a paz, principalmente a alheia...mesmo que aquela idiota mereça um inferno astral. Paremos pois. Calemos, pois. Sejamos pois, inteligentes.
Estou indo para uma empreitada, onde vou tentar reaver algo que perdi... não, dessa vez não foi um amor, foi coisa mais séria. Amor eu já perdi uns dois. A bem da verdade, um deles, me perdeu, e o outro eu perdi.
Mas tenho pra mim que nessas perdas, o benefício foi revertido para mim mesma. A perda teria sido, um "custo-benefício", como diz minha amigo administrador. Eles eram rabugentos demais! E jovens... imagine quando envelhecessem... Bleh!
Se eu conseguir reaver o que perdi, o que não vai ser fácil, certamente escreverei uma poesia barata. Se não conseguir... só de saber que não significa o fim, a morte... já é meio caminho andado para eu achar que tudo bem, um dia se perde, no outro se ganha, vamos em frente...
E sem xingar.




...A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinitoSó o que me interessa...

O QUE ME INTERESSA....






Dá arrepios só de pensar nos diversos nomes que os psiquiatras e psicólogos, dão para as mais diversas variações de angústias vividas ao longo da existência humana, transformando a vida em uma complexa trama de significados programados. Apesar disso, vou me permitir brincar com isso e inventar um termo: a crise desesperadora e “fenixiana” (acabei de inventar o termo) dos 30 anos.

Tenho observado, tanto no meu ambiente social, quanto nos tantos diferenciados que nossa cultura diversificadamente tem,  pessoas, com idade entre 28-34 anos, inicialmente ficam extremamente angustiadas. Ou porque realizaram tudo que haviam se programado (tem casa, carro, emprego, casamento, filhos, etc.). Ou porque não conseguiram realizar todos estes sonhos. Vale lembrar que parte destes sonhos (o que Albert Camus chamou brilhantemente de ilusões) fazem parte, muito mais, de uma expectativa da sociedade do que de uma realização pessoal.
Em “O mito de Sísifo”, Albert Camus fala mais detalhadamente a esse respeito, enfatizando que “Cultivamos o hábito de viver antes de adquirir o de pensar”. A grande conseqüência disso, a meu ver, é que tomamos para nós mesmos as expectativas sociais e simplesmente esquecemos daquilo que nos é próprio. A crise dos 30 anos, seria o momento, em que cansados de fazer, paramos para pensar e daí percebemos o absurdo em que estamos inseridos. Esse absurdo seria o divórcio entre o meu eu e a vida, em outras palavras, entre o ator e o cenário.

Duas saídas são possíveis, para “curar” essa desconexão: 1. pensarmos a respeito de nossas vidas e traçarmos objetivos alinhados aos nossos desejos, 2. ficarmos perdidos diante da possibilidade de pensar. Acredito que a segunda possibilidade é a mais comum, pois como estamos inseridos no mundo de uma forma mais utilitária, paramos muito pouco para pensar. Pensar dói e muito, ou como diria Camus: “Começar a pensar é começar a ser atormentado”. Quando pensamos, podemos nos dar conta de que existe uma ausência de qualquer motivo profundo para se viver. Começar a pensar significa voltar o olhar para si mesmo, recolher-se em seus pensamentos e entender finalmente depois de tantas simbólicas mortes que minha vida não é um teatro que necessita de aplausos, minha vida nada mais é que minha historia contada ou vivida, isolada ou inserida, amarga ou querida, em chegada ou partida, minha vida É MINHA e devo vive-la sem expectativas, mas apenas com surpresas. QUE VENHA OS 40!     .