domingo, 20 de setembro de 2009

O QUE ME INTERESSA....






Dá arrepios só de pensar nos diversos nomes que os psiquiatras e psicólogos, dão para as mais diversas variações de angústias vividas ao longo da existência humana, transformando a vida em uma complexa trama de significados programados. Apesar disso, vou me permitir brincar com isso e inventar um termo: a crise desesperadora e “fenixiana” (acabei de inventar o termo) dos 30 anos.

Tenho observado, tanto no meu ambiente social, quanto nos tantos diferenciados que nossa cultura diversificadamente tem,  pessoas, com idade entre 28-34 anos, inicialmente ficam extremamente angustiadas. Ou porque realizaram tudo que haviam se programado (tem casa, carro, emprego, casamento, filhos, etc.). Ou porque não conseguiram realizar todos estes sonhos. Vale lembrar que parte destes sonhos (o que Albert Camus chamou brilhantemente de ilusões) fazem parte, muito mais, de uma expectativa da sociedade do que de uma realização pessoal.
Em “O mito de Sísifo”, Albert Camus fala mais detalhadamente a esse respeito, enfatizando que “Cultivamos o hábito de viver antes de adquirir o de pensar”. A grande conseqüência disso, a meu ver, é que tomamos para nós mesmos as expectativas sociais e simplesmente esquecemos daquilo que nos é próprio. A crise dos 30 anos, seria o momento, em que cansados de fazer, paramos para pensar e daí percebemos o absurdo em que estamos inseridos. Esse absurdo seria o divórcio entre o meu eu e a vida, em outras palavras, entre o ator e o cenário.

Duas saídas são possíveis, para “curar” essa desconexão: 1. pensarmos a respeito de nossas vidas e traçarmos objetivos alinhados aos nossos desejos, 2. ficarmos perdidos diante da possibilidade de pensar. Acredito que a segunda possibilidade é a mais comum, pois como estamos inseridos no mundo de uma forma mais utilitária, paramos muito pouco para pensar. Pensar dói e muito, ou como diria Camus: “Começar a pensar é começar a ser atormentado”. Quando pensamos, podemos nos dar conta de que existe uma ausência de qualquer motivo profundo para se viver. Começar a pensar significa voltar o olhar para si mesmo, recolher-se em seus pensamentos e entender finalmente depois de tantas simbólicas mortes que minha vida não é um teatro que necessita de aplausos, minha vida nada mais é que minha historia contada ou vivida, isolada ou inserida, amarga ou querida, em chegada ou partida, minha vida É MINHA e devo vive-la sem expectativas, mas apenas com surpresas. QUE VENHA OS 40!     .