domingo, 23 de maio de 2010




Alice no pais das maravilhas é uma trama filosófico moral capaz de criar um universo ficcional caótico onde vai sendo conhecido em altíssima velocidade narrativa. Nada real, coisa alguma de realidades no mundo encantado de Alice tudo é imaginação, mas não apenas uma vaga e desproposital criação mitológica, tais imaginações são “fugas” perceptivas. O impensado é o desafio a vencer. O País das Maravilhas desliga linguagem de contexto usual e convida ao estranhamento do mundo. Não se trata de ilusões infantis, pois que carrega ordenação lógica singular. Carroll também partilha a revelação histórico-social em que se assenta o seu país: O autor faz das aventuras encontros fenomenológicos. Cada episódio guarda níveis de apreensão diversos. A narrativa convoca a capacidade de reordenar as significações de si e de mundo. Os encontros de Alice conduzem a pensar a própria linguagem de modo que se torne linguagem primeira redefinindo os próprios limites do mundo. Nada é suficiente em si para que se compreenda o mundo é preciso como Alice cair nos buracos da própria consciência. No quinto capítulo, Conselhos de uma Lagarta, filosofia profunda aparece como ingênuo diálogo infantil. “Quem é você?”. Está posta a própria existência em questão. Tantas transformações sofridas e encontros no mínimo inusitados na toca do coelho, longe da família, da escola, das atividades e círculos sociais próximos, a resposta poderá ser errada, porque requer de Alice retomar a própria essência. Tarefa completamente possível no País das Maravilhas. O desassossego se instala; Carrol questiona a existência antes da autodefinição. Dúvida antes do Verbo A lagarta será borboleta. Espelho da metamorfose. Escapa a Alice a razão de não poder identificar-se. - Bom, quem sabe a sua maneira de sentir talvez seja diferente ... ensaia Alice ainda na tentativa de explicar-se. - Você! - exclamou desdenhosamente a Lagarta. – E quem é você? - Acho que a senhora deveria me dizer primeiro quem é . - Por quê? A nova pergunta desconcerta, confronta sem desvelar-se. Carrol desarticula o mundo imposto e básico em limitações e transcende pra questionamentos imprecisos aqui ele retoma respostas socialmente aceitas, esvaziadas de significação e lhes dá outro lugar. Em Alice há um encontro com o novo que sempre fez parte de nós e nunca fomos capazes de entender porque vivemos num Pais das imposições e não das significações simbólico filosóficas, no país das maravilhas somos livres e sem limites pra  isso entre  no buraco caótico e encontre sua harmonia ilimitada pra criar o mundo perfeito como quiser.